Marcos Rodríguez Pantoja, conhecido como o “menino lobo da Serra Morena”, morreu no último sábado, dia 15, aos 80 anos, em Ourense, Espanha. Ele viveu mais de doze anos isolado nas montanhas, mantendo contato com animais selvagens, principalmente lobos.
A história de Marcos foi documentada por estudos antropológicos, livros e filmes. Ele foi vendido pelo pai a um pastor de cabras quando tinha cerca de seis anos. Após a morte da mãe, o menino ficou sob os cuidados do pastor, que lhe ensinou a sobreviver na região. Sem contato humano estável, ele passou a viver sozinho na serra, aprendendo a obter alimentos e a se proteger usando recursos naturais.
Ao longo de mais de uma década, conviveu com lobos e outros animais, desenvolvendo formas próprias de comunicação. Em depoimento, ele disse não saber o que era dinheiro durante o período na mata, mas afirmou que a comida não faltava. Ele relatou que, ao querer um cervo, chamava seus “pais”, que eram os lobos.
Marcos foi encontrado pela Guarda Civil espanhola e readaptado à sociedade, processo considerado difícil. Ele precisou reaprender hábitos como falar e usar talheres. O período posterior à vida na serra também foi marcado por maus-tratos. Amigo de Marcos, Arturo Arcones, contou que ele era desconfiado com adultos, mas encantador com crianças.
A trajetória do homem despertou o interesse do antropólogo Gabriel Janer Manila, da Universidade das Ilhas Baleares. Entre novembro de 1975 e abril de 1976, o pesquisador acompanhou Marcos para estudar sua experiência. Após deixar a vida na serra, Marcos trabalhou em diversas funções, e em 2001 mudou-se para a aldeia de Rante, em Ourense, onde passou a contar sua história para crianças.

