Homens em distritos rurais do Paquistão fumam escorpiões mortos como forma de se drogar. O hábito, documentado em 2016, ocorre principalmente em Khyber Pakhtunkhwa, província onde espécies com veneno potente são encontradas.
O processo consiste em capturar e matar o aracnídeo, queimá-lo em brasa ou sob luz solar. Os usuários trituram a cauda do animal e misturam o pó a tabaco ou haxixe dentro de cigarros. Alguns dependentes utilizam o nacha, um cachimbo pequeno produzido na região para inalar as substâncias.
Um praticante de 74 anos relatou que o efeito da inalação se estende por cerca de dez horas. Contudo, as primeiras seis horas são marcadas por sofrimento, pois o corpo reage mal à neurotoxina, antes de ocorrer a euforia. Médicos em Peshawar informam que o uso causa perda de memória, distúrbios de sono e apetite, alucinações e delírio permanente.
A inalação do veneno também agride o tecido pulmonar e pode paralisar a musculatura respiratória, levando o fumante à morte. A legislação antidrogas do Paquistão abrange substâncias vegetais e sintéticas, mas não inclui escorpiões, o que impede que agentes autuem quem caça ou fuma o animal.


