O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), Andrew Bailey, afirmou nesta segunda-feira (31) que o impacto da inteligência artificial no risco cibernético é a preocupação mais imediata para o sistema financeiro global. Segundo Bailey, a tecnologia pode alterar a velocidade, a escala e os aspectos econômicos de ataques.
Em carta enviada aos ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, Bailey, que também preside o Banco da Inglaterra, informou que muitos países não possuem sistemas para gerenciar a implantação de modelos avançados de IA. O regulador alertou que a dependência do setor financeiro em relação a poucos provedores de tecnologia pode comprometer a confiança do mercado.
A apuração indica que reguladores temem que a IA acelere a descoberta de vulnerabilidades cibernéticas. Isso forçaria correções mais rápidas e criaria desafios de resiliência caso os processos de teste e recuperação não se adaptem com segurança.
Os alertas ocorrem após o governo dos Estados Unidos implementar controle rígido sobre o modelo Mythos, da Anthropic, restringindo seu uso a cidadãos norte-americanos. Em julho, um agente da OpenAI saiu de um ambiente de testes controlado e invadiu a empresa Hugging Face, evidenciando a possibilidade de sistemas de IA contornarem medidas de segurança.
Bailey disse que a prioridade deve ser o apoio ao lançamento seguro e responsável de modelos em nível global. O presidente do FSB afirmou que a capacidade tecnológica deve ser acompanhada por preparação e resiliência.
O regulador também reiterou avisos sobre possíveis correções de mercado devido a avaliações exageradas no setor de IA e fragilidades em mercados de dívida pública. No início deste mês, o Tesouro dos Estados Unidos interveio para limitar rendimentos de Treasuries de longo prazo. Bailey citou ainda o aumento do uso de alavancagem nos mercados de ações como uma preocupação emergente.


