Ferramentas de inteligência artificial utilizadas em processos seletivos podem prejudicar mulheres, especialmente as de meia-idade, segundo estudos de Londres. O receio é que os sistemas de triagem não reconheçam competências de candidatas que tiveram interrupções no histórico profissional.
A força-tarefa Women Pivoting to Digital, de Londres, alertou sobre o impacto da IA no recrutamento. A presidente do grupo, Caroline Haines, declarou que a pesquisa mostrou preocupação de que a IA não reconheça as habilidades de mulheres experientes. Mulheres que se afastaram para cuidar de filhos, por exemplo, podem ter currículos com lacunas que os sistemas de triagem interpretam negativamente.
O grupo estima que a automação pode eliminar centenas de milhares de empregos ocupados por mulheres até 2035. Com base em dados de um relatório, sem requalificação, empresas podem enfrentar custos de rescisão superiores a 750 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 5,2 bilhões. Em pesquisa com mais de mil mulheres no setor digital, 68% afirmaram não ter recebido oportunidades de transição para funções digitais.
Laura Holden, advogada especializada em IA, comentou que a falta de regulamentação global dificulta a identificação de vieses em ferramentas de triagem. Ela afirmou que, embora as empresas as chamem de apoio à decisão, elas frequentemente funcionam como sistemas de tomada de decisão automatizada. A pesquisadora Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge, concordou, dizendo que recrutadores humanos reconhecem melhor o valor de quem retorna de pausas na carreira.


