A inteligência artificial não determina o futuro das economias, argumenta um analista. Segundo o autor, os impactos da tecnologia dependem da estrutura econômica de cada país, e não dos algoritmos. O debate nacional, segundo ele, foca no diagnóstico superficial, ignorando a desindustrialização brasileira como problema estrutural.
O artigo aponta que o debate sobre IA frequentemente atribui à tecnologia a responsabilidade pela precarização do trabalho, o que o autor classifica como um diagnóstico superficial. Ele explica que o Brasil já enfrentava a perda de capacidade industrial antes da chegada da IA, marcada pela redução da participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) e pelo enfraquecimento da política industrial.
Nesse contexto, a automação torna-se mais evidente em economias fragilizadas. Quando um país perde capacidade de produzir tecnologia, ele passa a consumi-la, tornando-se dependente de softwares e infraestruturas digitais estrangeiras. A ausência de um projeto nacional de desenvolvimento, e não a tecnologia em si, gera a informalidade digital e a terceirização extrema.
Mesmo em nações tecnologicamente avançadas, a IA gera concentração de renda e poder econômico se não houver regulação pública eficiente. O autor conclui que o futuro será definido por escolhas políticas: se o país pretende produzir inteligência artificial ou apenas consumi-la.

