Um estudo recente aponta que o uso crescente de inteligência artificial generativa nas escolas pode comprometer a aprendizagem de longo prazo. A pesquisa, conduzida por pesquisadores de universidades internacionais, analisou 26.811 estudantes chineses e identificou queda no desempenho após o uso intensivo da tecnologia.
Os resultados da análise indicaram um aumento médio de 18% nas notas de tarefas de casa, com redução de 30% no tempo gasto para concluí-las. Contudo, após seis meses, as notas em provas mensais recuaram 20%. Nos exames de admissão universitária, as taxas de aprovação diminuíram entre 18% e 24%, segundo o Centro de Pesquisa de Política Econômica (CEPR).
Os pesquisadores afirmam que o problema ocorre quando os estudantes terceirizam as lições, deixando a IA produzir as respostas em vez de usá-la como apoio. Cerca de 80% dos casos de baixo desempenho nos testes apresentaram esse perfil. Os autores declaram que “Concluir essas tarefas com eficiência não é o objetivo; o importante é aprender com elas”.
O debate sobre a ferramenta se estende ao cenário global. Nos Estados Unidos, 84% dos estudantes do ensino médio já utilizam IA para tarefas escolares, conforme levantamento de um órgão educacional. Um professor associado de uma universidade identificou casos de alunos com notas altas em questões objetivas, mas com respostas dissertativas sem conteúdo da disciplina.
Neurocientistas comparam o fenômeno a tecnologias educacionais anteriores, como as criadas por Sidney Pressey e B. F. Skinner. Eles alertam que a IA pode repetir esse padrão ao substituir o esforço necessário para o desenvolvimento de habilidades e do pensamento crítico.

