Pesquisadores americanos utilizaram inteligência artificial para projetar 16 vírus funcionais, capazes de se replicar em laboratório, marcando a primeira vez que genomas inteiros foram criados por IA. Os vírus, que infectam bactérias e não ameaçam humanos, são vistos como um ponto de virada para o tratamento de doenças, mas geram preocupações urgentes de segurança.
A tecnologia, que funciona como grandes modelos de linguagem, foi treinada com códigos genéticos de vírus, bactérias, plantas e pessoas. Os modelos, chamados Evo1 e Evo2, preveem a linguagem da biologia, sendo refinados para produzir bacteriófagos que atacam espécies bacterianas específicas. Após selecionar 302 projetos promissores, 16 se mostraram eficazes na eliminação da bactéria E. coli, conforme relatado por um estudante de doutorado do laboratório.
O desenvolvimento de novos fagos pode gerar tratamentos para infecções resistentes a antibióticos. Contudo, especialistas alertam que a capacidade da IA de projetar nova biologia levanta questões de biossegurança. Thomas Inglesby e Moritz Hanke, do Centro de Segurança da Saúde da Universidade Johns Hopkins, afirmaram que as descobertas exigem atenção sobre como a tecnologia pode ser usada sem causar danos graves.
Os cientistas implementaram medidas de segurança, excluindo vírus que poderiam infectar organismos complexos do banco de dados de treinamento. Um professor da Universidade Stanford explicou que, embora o salto para criar organismos vivos seja complexo, os pesquisadores estão interessados nesse avanço, que pode melhorar drasticamente a saúde humana.

