A inteligência artificial já executa tarefas que definiram o início de carreira de analistas de investimentos. Alexandre Muller, CIO da Leto Capital, explica que, embora a máquina automatize análises, o pensamento crítico humano se torna essencial para a tomada de decisões estratégicas.
Muller, que iniciou como analista de crédito em 2003, afirmou que a análise de balanços financeiros de empresas brasileiras, antes um trabalho manual, é hoje feita por ferramentas de IA. Segundo o CIO da Leto Capital, a produtividade da tecnologia elevou a importância de habilidades intrinsecamente humanas, como a capacidade de ler o contexto e aplicar o raciocínio em um processo mais amplo.
A tecnologia, na visão de Muller, divide tarefas: a máquina cuida das rotinas, liberando os profissionais para o julgamento. Ele alertou que a IA dá escala às decisões, sendo benéfica para quem busca conteúdo e reflexão, mas prejudicial para quem terceiriza o raciocínio.
O especialista também apontou que o risco mais específico da IA no mercado de capitais é o descolamento da realidade, pois o capital se multiplica pelo impacto gerado pelo trabalho humano. Para evitar a preguiça intelectual, Muller defende o conceito de life long learning, ou aprendizagem contínua, como ferramenta de aprimoramento constante.

