O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu um alerta técnico sobre os impactos ambientais dos projetos de mineração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas, Sul de Minas. O órgão recomendou que os efeitos de todos os empreendimentos sejam avaliados de forma integrada, e não isolada, devido à sua localização na mesma região.
As terras raras são 17 elementos químicos estratégicos, essenciais em tecnologias como carros elétricos e equipamentos de defesa. Atualmente, dois projetos, o Caldeira, da mineradora Meteoric, e o Colossus, da empresa Viridis, estão em fase de licenciamento na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). Embora não haja sobreposição física entre as áreas, o Ibama sinaliza riscos cumulativos e sinérgicos sobre sistemas hídricos e biodiversidade.
O parecer técnico do Ibama, emitido em julho, aponta lacunas de informação e sugere estudos que considerem a unidade de descomissionamento da INB, antiga mina de urânio em Caldas, que possui passivo nuclear. Os riscos incluem o rebaixamento do lençol freático, a possibilidade de fauna silvestre ser empurrada para áreas contaminadas e o risco de transbordamento de águas ácidas em caso de chuvas extremas.
Em resposta, a Aliança em Prol da APA da Pedra Branca de Caldas protocolou ofícios no Ministério Público Federal e na Feam, solicitando a suspensão imediata das licenças da Viridis e da Meteoric até que a análise conjunta seja realizada com perícia independente. A Viridis afirmou que seu licenciamento segue as normativas vigentes, enquanto a Meteoric declarou que seus estudos socioambientais foram elaborados por equipes multidisciplinares.

