O Ibovespa, principal índice da B3, iniciou a 11ª sessão consecutiva de queda na terça-feira (18), registrando a maior sequência de perdas desde 2023. A retração ocorre em meio à saída recorde de capital estrangeiro e à alta incerteza fiscal e eleitoral no país.
A maior saída mensal de recursos por investidores estrangeiros ocorreu até 13 de agosto, quando foram retirados R$ 15,63 bilhões da bolsa brasileira. Esse volume supera o registro anterior, feito em maio, que somou R$ 13,28 bilhões. O movimento contrasta com o fluxo de janeiro e fevereiro, quando aplicaram R$ 42,56 bilhões no mercado nacional.
A piora do cenário internacional também contribuiu para a cautela dos investidores. A escalada de tensões no Oriente Médio intensificou a procura por ativos considerados seguros, como o dólar e títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A economista Isabel Abreu afirmou que o investidor estrangeiro retira recursos em ritmo acelerado, pois os juros permanecem altos e o apetite global por ativos de risco diminuiu.
A queda não afeta todos os setores da mesma maneira. Empresas exportadoras, que faturam em dólar, resistem melhor à turbulência. Já os setores ligados ao consumo interno sentem mais os efeitos dos juros elevados e da desaceleração econômica. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, disse que varejo e empresas de bens não essenciais são mais prejudicados.


