O Ibovespa registrou queda na oitava sessão consecutiva, retornando a 167.100 pontos. Em contrapartida, o S&P 500 superou 7.800 pontos e o Nasdaq avançou, renovando máximas históricas nos Estados Unidos em agosto.
A disparidade entre as bolsas brasileira e americana se intensifica em agosto. Enquanto o índice nacional acumulou queda superior a 6%, os índices de Wall Street mantêm desempenho positivo. A situação inverteu o cenário do início do ano, quando o mercado brasileiro era impulsionado por entrada de capital estrangeiro e expectativa de queda da taxa Selic.
A mudança de tendência no Brasil reflete preocupações domésticas, como a proximidade da eleição presidencial e incertezas fiscais. Analistas apontam que a política econômica futura influencia os preços dos ativos. Em contraste, os dados recentes de inflação nos EUA trouxeram alívio à expectativa de novos apertos monetários por parte do Federal Reserve.
Outro fator de divergência é a base de valorização. O rali anterior do Ibovespa dependeu muito do fluxo de capital externo. Atualmente, o movimento americano é sustentado pelo crescimento dos lucros corporativos, especialmente em empresas de tecnologia e infraestrutura de inteligência artificial. O mercado brasileiro, por sua vez, é composto majoritariamente por setores como bancos e commodities.
O capital estrangeiro tem reduzido posições no Brasil. Em sete pregões de agosto, a retirada de recursos gringos da B3 somou R$ 12 bilhões. Especialistas indicam que, para o investidor global, o prêmio exigido para assumir riscos políticos e fiscais no Brasil é elevado, enquanto os EUA oferecem crescimento de lucros.


