Duas cidadãs equatorianas, de 39 e 19 anos, foram detidas por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) enquanto recebiam atendimento médico em um hospital em Kissimmee, na Flórida. As mulheres haviam sofrido um acidente de carro no dia 20 de agosto e foram deportadas para o Equador na semana seguinte.
A abordagem ocorreu enquanto Grace Calero, de 39 anos, recuperava-se em um quarto hospitalar. A filha, Giulianna Carriel, de 19 anos, estava em outra cama e teria sofrido um ataque de pânico com convulsões ao ver a mãe ser algemada. Um familiar registrou a ação em vídeo e questionou os agentes sobre a existência de um mandado de prisão.
O ICE informou que emitiu ordens de detenção contra as duas no dia 20 de agosto. Segundo o órgão, Calero entrou legalmente no país em março de 2023 e Carriel em fevereiro de 2025, mas ambas permaneceram nos Estados Unidos após o vencimento dos prazos autorizados. A família afirmou que elas haviam solicitado asilo por sofrerem ameaças de gangues criminosas no Equador.
Há divergências sobre o momento da prisão. Parentes relataram que Grace estava com o pescoço imobilizado e sob efeito de sedativos quando foi questionada por um policial do condado de Polk. Já o Gabinete do Xerife do Condado de Polk declarou que a situação migratória foi descoberta durante a investigação do acidente e que as ordens de detenção do ICE foram emitidas apenas após a alta hospitalar.
O hospital HCA Florida Poinciana declarou que atende todos os pacientes independentemente da situação migratória, mas que cumpre as regulamentações sobre a presença de agentes de segurança. Após passarem por unidades prisionais no condado de Pinellas e em Tampa, as mulheres optaram pela deportação voluntária por medo de permanecerem em centros de detenção. Elas embarcaram na terça-feira (25) e chegaram a Guayaquil no dia seguinte.
O caso ocorre durante a intensificação das operações de imigração no segundo mandato do presidente Donald Trump. Dados da Universidade da Califórnia em Berkeley indicam que o ICE prendeu quase 50 mil pessoas em julho, o maior volume mensal deste governo. Texas e Flórida registram os maiores índices de prisões, com maior cooperação entre forças locais e federais via programa 287(g).


