O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) prendeu 49.571 pessoas em julho, o maior volume de detenções registrado em um único mês desde que Donald Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Os dados foram fornecidos ao Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia em Berkeley.
O volume de prisões em julho representa uma alta de 15% em relação às 43.021 registradas em junho e um salto de 70% comparado a fevereiro, quando houve 29.941 detenções. Segundo a apuração, o governo republicano alterou a estratégia para evitar operações de alta visibilidade em grandes cidades, focando agora em abordagens de trânsito e no uso de forças de segurança estaduais e locais.
Texas e Flórida foram os estados com maior incidência, respondendo por quase 20 mil das prisões de julho. Ambos utilizam os acordos 287(g), que permitem que polícias locais desempenhem funções de fiscalização migratória federal. Agentes do ICE também passaram a deter haitianos que perderam proteções contra a deportação.
Paralelamente, o Departamento de Estado anunciou a revogação progressiva de vistos de negócios e turismo de estrangeiros que solicitaram asilo nos Estados Unidos. A medida pode afetar até 200 mil pessoas, o que representaria a maior revogação em massa de vistos na história do país, segundo a imprensa local.
A nova tática de abordagens simples, como a verificação de registro de veículos ou vidros escuros, tem sido relatada em comunidades de imigrantes. Relatos indicam que pessoas com pedidos de asilo pendentes e autorizações de trabalho válidas estão sendo detidas durante essas fiscalizações de trânsito.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, havia prometido manter a agência longe dos holofotes durante sua confirmação no cargo. No entanto, a gestão de Mullin foi marcada por tiroteios fatais envolvendo agentes do ICE e imigrantes, especialmente em Minnesota, onde incidentes em janeiro provocaram protestos e queda temporária nas prisões em fevereiro.

