Francisca Antônia de Jesus, de 109 anos, conseguiu um registro de nascimento pela primeira vez. A idosa, nascida em 1916 no interior do Piauí, viveu mais de um século sem certidão de nascimento ou identidade. A regularização ocorreu após a família trazê-la ao Tocantins.
A conquista da documentação também incluiu a emissão da carteira de identidade. Segundo a neta, Maria de Carvalho, Francisca nasceu em um povoado chamado Campos, no interior do Piauí. Os pais da idosa eram analfabetos, e ela cresceu na roça como a mais velha de três irmãos.
A família relatou que a idade de Francisca pode ter sido alterada no batistério, pois ela nasceu em 1916, mas consta como 1918. A vida da mulher teve separações; ela teve quatro filhos, mas os dois primeiros foram levados pelo pai e só foram vistos quando adultos.
Em 1986, Francisca mudou-se para Mato Grosso com o filho mais velho e conseguiu o primeiro documento oficial, a carteira de trabalho, que permitiu sua aposentadoria. Anos depois, obteve o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), mas a carteira de identidade permaneceu pendente.
A necessidade de regularização se tornou urgente quando o benefício da idosa foi suspenso por exigir abertura de conta bancária. A neta levou Francisca ao Tocantins e procuraram a Defensoria Pública. O processo resultou no registro de nascimento em cerca de três meses, seguido pela emissão da carteira de identidade.


