A escultura de São Francisco de Paula, localizada no Centro do Rio de Janeiro, volta ao altar-mor após um processo de conservação que durou cerca de um ano. O trabalho revelou detalhes artísticos e históricos da peça do século XVIII, que estava coberta por tinta preta.
A conservadora-restauradora Cláudia Nunes, fiscal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro (IPHAN-RJ), acompanhou as intervenções. Segundo a especialista, antes do início dos trabalhos, a peça apresentava indumentária quase inteiramente coberta por tinta escura. Um medalhão no peito, com a palavra latina “Charitas”, permaneceu visível, preservando o douramento.
Os restauradores realizaram prospecções para identificar o que estava sob a pintura escura. O exame mostrou um rico trabalho original de policromia e elementos em ouro. A equipe iniciou a decapagem para remover a tinta aplicada posteriormente, permitindo que a imagem mostrasse seu esplendor setecentista. O restauro ocorreu na própria igreja, com tratamento da rachadura e refazimento do douramento.
A camada preta foi resultado de uma moda estética do século passado, que defendia a representação do hábito do santo em tons escuros. Daisy Gil Ketzer, assessora da Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, apontou que a datação da obra pode estar ligada aos primeiros tempos do templo, cuja pedra fundamental foi lançada em 1759.
O retorno oficial da imagem está marcado para o dia 18 de agosto de 2026, às 17h30. A cerimônia será presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta. Às 18h00, haverá um concerto musical com execução de partitura inédita de Henrique Alves de Mesquita, composta em 1867.


