Apesar dos indicadores positivos de emprego e renda, o avanço do poder aquisitivo não se reflete nas vendas do varejo. Segundo Eduardo Yamashita, sócio-diretor da Gouvêa Inteligência, a crise dos grandes varejistas é explicada pela alta inadimplência e pelos elevados custos financeiros das empresas.
Yamashita afirmou que a renda do consumidor está sendo direcionada ao pagamento de dívidas, e não ao consumo. Ele detalhou que há cerca de 84 milhões de brasileiros inadimplentes, um contingente que corresponde a aproximadamente 45% da população economicamente ativa. Esse quadro impede que parte da renda circule no varejo.
No lado das despesas, o custo financeiro das empresas agravou o cenário. Muitas varejistas acumularam dívidas durante a pandemia e, com a manutenção dos juros altos, tornaram-se difíceis de administrar. Yamashita apontou que setores como móveis e eletrodomésticos sofrem mais do que farmácias e supermercados.
O comércio eletrônico representa mais de 60% das vendas desses segmentos, gerando forte pressão sobre as margens. Contudo, o executivo defendeu que as lojas físicas ainda têm papel estratégico, pois podem apoiar as operações digitais, criando uma sinergia entre os canais.


