A inflação elevada e os juros altos reduziram o espaço financeiro das famílias brasileiras. Em maio, a renda disponível média foi de R$ 21,70 de cada R$ 100 recebidos, segundo levantamento da consultoria Tendências, atingindo um dos menores patamares da série histórica.
A pressão inflacionária afeta diretamente o orçamento doméstico. Pesquisa da empresa Dunnhumby, com dez mil pessoas, indicou que o brasileiro gasta, em média, R$ 1.073,98 mensais em supermercados. O grupo de alimentos e bebidas registrou avanço de 4,37% em julho, superando o índice geral de inflação (IPCA-15), que acumulava 3,51% no mesmo período.
O custo do crédito também pesa no cenário. Com a taxa Selic em 14% ao ano, o endividamento cresce; em São Paulo, 74,1% dos lares estão endividados. A Serasa registrou que o número de brasileiros inadimplentes chegou a 83,7 milhões em junho, somando R$ 579 bilhões em dívidas em atraso.
As projeções econômicas também pioraram. A pesquisa Focus elevou a estimativa de alta do IPCA de 4,31% em janeiro para 5,03% na edição mais recente. Em contrapartida, dados do FGV Ibre mostram que a situação financeira melhorou para famílias com renda de até R$ 2,1 mil, que atingiu 91,5 pontos.


