Cientistas investigam a ligação entre inflamação e transtornos mentais, notando que cerca de 25% das pessoas com depressão apresentam níveis altos de proteínas inflamatórias no sangue. Indícios apontam que a inflamação pode preceder os sintomas depressivos.
A psiquiatria já utiliza medicamentos desenvolvidos para outros fins no tratamento de doenças mentais, como os antidepressivos, criados inicialmente para tuberculose. Agora, a atenção se volta para anti-inflamatórios, após décadas de pesquisa sobre a relação entre inflamação e depressão.
Especialistas acreditam que as proteínas inflamatórias atuam no cérebro, reduzindo neurotransmissores como serotonina e dopamina, essenciais para o humor. Um professor associado de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Emory afirmou que a inflamação pode explicar por que muitos pacientes não respondem aos tratamentos de primeira linha.
Em um estudo com 30 pessoas, todas com inflamação elevada, o uso de um fármaco para artrite reumatoide mostrou pequena redução nos sintomas somáticos, mas o benefício não foi estatisticamente significativo comparado ao placebo. O pesquisador que liderou a análise chamou o trabalho de “prova de conceito”.
Apesar da inconsistência em vários estudos, alguns psiquiatras já iniciaram a medição de proteínas inflamatórias e recomendam mudanças no estilo de vida para reduzir os níveis, aguardando mais dados para aceitar a hipótese amplamente.


