A inteligência artificial (IA) é utilizada por 78% dos médicos brasileiros em sua prática profissional, segundo levantamento da Afya em parceria com a Conexa. O uso da tecnologia concentra-se em pesquisas sobre medicamentos, auxílio em dúvidas clínicas e automação de tarefas administrativas para reduzir a carga burocrática nos consultórios.
A pesquisa aponta que a principal aplicação da IA é a busca por informações sobre medicamentos e interações, utilizada por 74% dos profissionais. Outros 66% recorrem às ferramentas para sanar dúvidas clínicas e 58% as utilizam na busca por evidências científicas. No campo administrativo, 34% dos médicos usam a tecnologia para relatórios automatizados e 28% utilizam prontuários por voz.
Durante o Afya Summit, realizado no sábado (29) no Parque Ibirapuera, em São Paulo, o médico Drauzio Varella afirmou que a tecnologia deve servir para liberar tempo para o paciente. Segundo Varella, a medicina é uma ciência humana e a profissão se exerce com as mãos, devendo a inovação preservar o atendimento humano.
Apesar da adoção, a supervisão humana permanece central. O levantamento indica que 63% dos médicos entrevistados já identificaram e corrigiram inconsistências geradas por sistemas de IA antes de tomarem decisões clínicas. Guilherme Rodrigues, coordenador de Oftalmologia da Afya, explicou que o julgamento clínico continua humano, pois exige a interpretação do contexto de vida e do histórico de cada paciente.
A tecnologia também começa a ser integrada ao ensino. Gustavo Meirelles, vice-presidente médico da Afya e reitor da Afya Unigranrio, informou que a IA está sendo incorporada ao currículo médico com cautela. O objetivo é que a ferramenta sirva como apoio à tomada de decisão, sem substituir o raciocínio clínico ou o ato de pensar do estudante.
Do lado dos pacientes, 49% utilizam ferramentas digitais para pesquisar sintomas e interpretar exames por conta própria. No entanto, 40% dos médicos entrevistados não acreditam que o atendimento conduzido exclusivamente por inteligência artificial se torne realidade.
No campo da prevenção, a análise preditiva de grandes volumes de dados é apontada como caminho para monitorar doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Rodrigues afirmou que a tecnologia permite identificar padrões e antecipar complicações, mas que a equipe de saúde é quem transforma a informação em um plano de cuidado.


