Eleitores da Islândia rejeitaram, em referendo realizado no sábado (29), a proposta para retomar as negociações de adesão à União Europeia (UE). Segundo a emissora pública RUV, a medida foi derrotada por 52,8% dos votos contra 47,2%, encerrando um debate que durava mais de dez anos.
A capital, Reiquiavique, foi a única região do país, que possui 400 mil habitantes, a votar a favor da retomada do processo. O governo de coalizão de esquerda, eleito em 2024, decidiu antecipar a consulta popular, prevista para o próximo ano, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionar a Islândia por erro quatro vezes ao falar sobre planos para a Groenlândia.
A votação foi decidida por cerca de 265 mil eleitores aptos. O grupo contrário à adesão baseou a campanha na preservação da indústria de pesca e no argumento de que a nação já usufrui do mercado único e da zona de livre circulação de Schengen sem as concessões de soberania exigidas para a entrada plena no bloco.
Os opositores afirmaram que a representação da Islândia seria insignificante no Parlamento Europeu e defenderam a manutenção de acordos comerciais bilaterais, como o firmado com a China. Já os defensores da adesão alegaram que a entrada na UE reduziria a inflação e as taxas de juros, além de substituir a coroa islandesa pelo euro para garantir estabilidade econômica.
Apoiadores da medida também citaram a necessidade de solidariedade europeia diante de ameaças de Trump de assumir o controle da Groenlândia. Embora a Islândia integre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), argumentaram que a adesão à UE traria maior proteção dos vizinhos diante de possíveis pressões externas e ajudaria no combate às mudanças climáticas.

