A maioria dos eleitores da Islândia, com 52,8% dos votos, rejeitou a retomada das negociações de adesão à União Europeia (UE) em referendo realizado no sábado (29). O governo de coalizão, liderado pela primeira-ministra Kristrun Frostadottir, afirmou que respeitará o resultado e não reiniciará o processo durante a atual legislatura, que termina em 2028.
A primeira-ministra declarou em entrevista coletiva que a decisão é definitiva para o seu mandato. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, informou que a UE respeita a escolha democrática dos islandeses. A Islândia havia solicitado a entrada no bloco em 2009, mas as conversas foram interrompidas em 2013.
O setor pesqueiro do país foi um dos principais entraves ao acordo. Para a indústria local, a submissão às cotas e zonas delimitadas pela política comum da UE representava um risco grave. Apesar disso, Bruxelas havia indicado disposição para fazer concessões em temas sensíveis para viabilizar a entrada do país.
O resultado foi recebido com apoio por lideranças eurocéticas. Marine Le Pen, da extrema direita francesa, e Nigel Farage, do Reform UK, afirmaram que a votação demonstra a preferência por nações soberanas em vez de uma integração profunda. O eurodeputado italiano Nicola Procaccini disse que o bloco deve refletir sobre a recusa de um país próspero e democrático.
A última expansão da UE ocorreu em julho de 2013, com a entrada da Croácia. Atualmente, nove nações possuem qualificação formal de candidatas, incluindo Ucrânia, Turquia e Sérvia. A Turquia aguarda a conclusão do processo desde 1987, com avanços limitados nas negociações iniciadas em 2005.
Outros processos de adesão enfrentam barreiras específicas. A Ucrânia recebeu a sinalização de que a admissão ocorrerá apenas após o fim da guerra com a Rússia. Já o Kosovo, que solicitou a entrada em 2022, tem sua independência questionada por membros do bloco, como a Espanha.

