A Islândia realiza neste sábado (29/08) um referendo nacional para decidir se o país deve retomar as negociações para ingressar na União Europeia (UE). Cerca de 265 mil pessoas estão aptas a votar em centenas de seções eleitorais para responder se a nação insular deve voltar a buscar a condição de 28º membro do bloco.
O governo de esquerda, eleito em 2024, antecipou a votação devido a tensões geopolíticas, como a guerra da Ucrânia e declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Groenlândia. A ministra das Relações Exteriores, Thorgerdur Gunnarsdottir, afirmou na semana passada que a ordem internacional que sustentou a segurança do país está sob pressão e que pequenas nações precisam avaliar seus posicionamentos.
A decisão é considerada imprevisível. Uma pesquisa do instituto Gallup, feita na sexta-feira, indicou que uma pequena maioria se opõe à reabertura das negociações, enquanto outros levantamentos apontam vantagem para a retomada. A última tentativa de adesão foi arquivada em 2015, motivada principalmente por resistências à política comum de pesca da UE, que exigiria a abertura das águas do Ártico para frotas estrangeiras.
Atualmente, a Islândia já integra o Espaço Econômico Europeu (EEE), com acesso ao mercado único, e o Espaço Schengen, de livre circulação. Opositores ao referendo argumentam que o país já usufrui dos benefícios da integração sem abrir mão da soberania. A ex-primeira-ministra Katrin Jakobsdottir disse, em evento em Reykjavik na quinta-feira, que é importante não transferir mais poder para a UE do que o necessário.
Economistas indicam que a adesão e a possível adoção do euro poderiam ajudar a combater a inflação e as taxas de juros elevadas. Caso o “sim” prevaleça, as negociações com a Comissão Europeia envolveriam 35 áreas, incluindo economia e direitos humanos. O Ministério das Relações Exteriores estima que o processo possa começar até o fim do ano e durar entre 18 e 24 meses.

