Israel e Venezuela iniciaram a retomada de serviços consulares na quarta-feira, dia 11, após dezessete anos. O entendimento, alcançado entre os chanceleres Félix Plasencia e Gideon Sa’ar, abre um canal oficial entre os países. A medida sinaliza uma alteração na política externa venezuelana, que antes apresentava hostilidade ao país israelense.
A estrutura coordenada foi criada para prestar serviços consulares aos cidadãos de ambas as nações. Além disso, a cooperação técnica em operações de emergência e recuperação pós-terremotos de junho na Venezuela será mantida. A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, já havia se reunido com oficiais do Comando da Frente Interna das Forças de Defesa de Israel em julho.
Historicamente, as relações ficaram tensas desde a ditadura de Hugo Chávez, período em que o país acusava Israel após operações na Faixa de Gaza. Durante o governo de Nicolás Maduro, a posição se manteve. A aproximação recente ganhou impulso após os desastres naturais, visto que Israel enviou equipe especializada para auxiliar na emergência.
O governo venezuelano declarou que ambos os lados reconhecem a importância da relação entre Israel e a comunidade judaica no país. Essa postura contrasta com a adotada por Chávez, que em 2006 fez comparações duras entre ações israelenses e o Holocausto. Benjamin Netanyahu elogiou a delegação humanitária israelense, afirmando que ela ajudava na reconstrução de relações com Caracas.
Anteriormente, a Venezuela mantinha laços fortes com o Irã, que fornecia assistência técnica e petróleo durante sanções dos Estados Unidos. Contudo, com a mudança de liderança, houve cobranças norte-americanas para que Caracas diminuísse os laços com Teerã. O novo acordo com Israel ocorre em um contexto de redefinição econômica venezuelana.


