O governo do Japão gastou 15,4 trilhões de ienes (US$ 96,5 bilhões) em intervenções nos mercados cambiais entre 30 de julho e 26 de agosto. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Ministério das Finanças, registram o maior volume já utilizado para apoiar a moeda local e evitar que o iene atinja os níveis mais baixos em quatro décadas.
A medida busca conter a desvalorização da moeda, que encarece a importação de energia — 95% da qual vem do Oriente Médio — e ameaça os lucros de exportadoras. O iene chegou a cotar perto de 164 por dólar, mas subiu para 155,20 em 3 de agosto, estabilizando-se em 159,50 desde o dia 10 do mesmo mês.
O Banco do Japão realizou compras de ienes nos dias 30 e 31 de julho, incluindo uma ação conjunta com os Estados Unidos. Na mesma ocasião, o Banco da Coreia sincronizou a compra de wons para aumentar a eficácia da operação, segundo autoridades sul-coreanas. A intervenção de 30 de julho pode ter atingido 9,6 trilhões de ienes, superando o recorde diário anterior de 6,3 trilhões, ocorrido em 30 de abril.
Para viabilizar as operações, Washington informou que Tóquio pode utilizar um mecanismo de apoio do Federal Reserve, criado em 2020 durante a pandemia. O sistema permite que o Japão amplie a liquidez em dólares sem a necessidade de vender títulos do Tesouro dos EUA.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou no início do mês que os Estados Unidos farão o necessário para apoiar a estabilização da moeda japonesa. Bessent disse que a subvalorização substancial do iene poderia causar problemas econômicos ou desvalorizações competitivas em outras moedas.
Enquanto isso, o Banco do Japão manteve os juros inalterados em julho. No entanto, formuladores de política monetária sinalizaram a intenção de acelerar o aperto monetário. O mercado atribui 65% de probabilidade a um aumento nas taxas de juros na próxima reunião, marcada para setembro.

