Servidores do governo japonês em Tóquio foram autorizados a usar shorts durante o expediente, uma mudança adotada para enfrentar as altas temperaturas e reduzir o uso de ar-condicionado. A flexibilização faz parte da campanha Cool Biz, mas o novo visual gerou debate sobre etiqueta e assédio no ambiente profissional.
A iniciativa, que incentiva roupas mais leves, representa um avanço na adaptação ao clima extremo no Japão. Um dos servidores pioneiros, de 53 anos, afirmou que a alteração trouxe mais conforto e melhorou o convívio com colegas. No entanto, a novidade dividiu opiniões, com parte dos funcionários considerando o uso de shorts inadequado aos padrões tradicionais de formalidade.
O debate se intensificou com a popularização do termo “sune-hara”, que descreve o desconforto relatado por alguns colegas ao ver pernas peludas. Especialistas questionam se a liberdade concedida aos homens beneficia igualmente as mulheres, que ainda enfrentam pressão por padrões estéticos rigorosos. A medida ocorre em um contexto de mudanças climáticas, visto que o verão de 2025 foi o mais quente já registrado no país.
Apesar da liberação, a adesão ainda é limitada. Em um prédio do governo metropolitano de Tóquio, apenas 11 dos 70 funcionários homens usavam a peça durante o expediente, indicando que a tradição corporativa ainda influencia as escolhas de vestuário.

