O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, se reúne nesta quinta-feira (27) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin. A pauta do encontro é a crise entre o ministro André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
A reunião, prevista para a tarde de hoje, ocorre após Fachin ter discutido o impasse com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e com o próprio chefe da PF. Messias atua como um dos principais articuladores do Executivo para contornar o conflito, dada a proximidade com Mendonça.
O ministro André Mendonça questiona a condução de inquéritos sob sua relatoria, citando demora no envio de provas e informações ao Supremo. Entre as investigações estão casos envolvendo fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Banco Master e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.
No caso de Fábio Luís, a PF levou ao menos 7 meses para encaminhar as informações ao relator. O gabinete de Mendonça avalia que a corporação não repassou provas já colhidas nem indicou o direcionamento das apurações.
Andrei Rodrigues, por outro lado, afirma que há interferência indevida no trabalho da Polícia Federal, órgão responsável pela condução das investigações criminais. Para tentar distensionar a relação, Mendonça já se reuniu com Wellington Lima e Silva.
Um ponto crítico ocorreu em julho, quando Mendonça exigiu todos os elementos da operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. A PF alegou falta de pessoal e solicitou novo prazo. As provas desse inquérito levaram a PF a pedir investigações contra a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva.
A partir de dados do celular da lobista, a PF solicitou a abertura de outros três inquéritos contra o filho do presidente. Dois foram sorteados para a relatoria de Mendonça e um para o ministro Flávio Dino.


