O jornalista Glenn Greenwald afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atua sem limites e constitui ameaça à democracia brasileira. Em entrevista, ele criticou a proximidade da Corte com políticos e relatou pressões após a publicação de reportagens sobre o ministro.
Greenwald detalhou que, ao receber um material em 2024 proveniente do gabinete de Moraes, ele teve um debate interno sobre a publicação do conteúdo. Segundo o jornalista, essa foi a única vez em que considerou não veicular uma reportagem por receio das consequências. Ele afirmou que a sociedade não consegue ou não quer impor limites ao abuso de poder do ministro.
O material foi apurado em parceria com um veículo de comunicação e deu origem à série “Vaza Toga”. O jornalista relatou que, após as primeiras reportagens, foi aberto um inquérito que incluiu ele, um repórter parceiro e o veículo. Greenwald descreveu a iniciativa como uma tentativa de intimidação.
O jornalista também criticou a participação de ministros do STF na vida política, defendendo que magistrados devem manter distância desse ambiente. Ele citou a presença de Moraes em eventos organizados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva como exemplo. Greenwald responsabilizou grandes veículos e o chamado “establishment do Brasil” pela ampliação dos poderes do STF durante o governo anterior.
Ao ser questionado sobre uma mudança que faria se tivesse plenos poderes, Greenwald respondeu que promoveria o impeachment de Moraes. O jornalista apontou o ministro como o perigo mais grave para a democracia brasileira, embora questionasse a viabilidade de tal processo.


