Mais de 27 milhões de jovens brasileiros tiveram acesso ao crédito em 2024, volume que representa um crescimento de 101% em comparação a 2016. O Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central (BC), aponta que a faixa etária entre 15 e 29 anos possui os maiores índices de inadimplência entre os grupos analisados.
O uso do cartão de crédito é um dos pontos críticos. Dos 17 milhões de jovens que utilizaram a modalidade em 2024, 13 milhões — o equivalente a 79% — recorreram ao crédito rotativo ou ao parcelamento. O levantamento do BC indica ainda que esse grupo detém a menor reserva de emergência e é o que mais investe em criptoativos, classificados como modalidade de maior risco.
O economista Luiz Carlos Ongaratto atribui o endividamento a fatores como salários baixos no início da carreira e despesas fixas elevadas, incluindo aluguel e transporte. Segundo Ongaratto, a inflação e os juros altos pressionam o orçamento, enquanto a falta de planejamento e a incapacidade de avaliar a própria renda levam ao consumo acima do permitido.
Para enfrentar o cenário, Goiânia recebe nesta quinta e sexta-feira (27 e 28) cerca de 3 mil estudantes, jovens aprendizes e estagiários para o 5º Integração Juventude. O evento ocorre no Centro Cultural Oscar Niemeyer como parte do 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred).
Promovido pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), o encontro oferece atividades sobre educação financeira, empreendedorismo e inteligência artificial. O presidente da Confebras, Luiz Lesse, afirmou que ensinar os jovens a economizar e investir de forma consciente é importante para a construção de um país menos endividado.
A programação inclui a participação de alunos da EcoCoop Mirim, de Rio Verde, e palestras com o doutor em Física Gildário Dias Lima, sobre tecnologia no mercado de trabalho, e com o ex-jogador de vôlei Dante Amaral, sobre persistência e trabalho em equipe.


