Indicadores econômicos brasileiros apontam para forte desaceleração em 2026. Executivos de empresas listadas na Bolsa de Valores do Brasil projetam crescimento menor em 2027, sob pressão da taxa básica de juros e incertezas fiscais.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central (BC), registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre deste ano. Este valor representa o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2025, quando houve queda de 0,5%. O consumo familiar também mostra sinais de enfraquecimento; a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da CNC, recuou 0,6% em agosto comparado a julho.
A geração de empregos também desacelera. Em junho deste ano, o Brasil criou 145,1 mil vagas, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Esse número é inferior aos 161,9 mil criados em junho de 2025. No primeiro semestre, foram gerados 921,6 mil empregos formais, queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025.
O endividamento das famílias atingiu novo recorde. Em julho, 82% dos consumidores declararam ter dívidas a vencer, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC. Stefan D’Amato, economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), avalia que o mercado de trabalho atua como um suporte para o consumo.
O especialista afirma que, embora a situação seja compatível com os efeitos defasados da política monetária, o risco de recessão só se concretiza se houver combinação de desaceleração da atividade, famílias endividadas e deterioração do emprego e da renda.

