A política monetária restritiva do Banco Central chegou à economia, elevando o risco de crise de crédito e recessão em 2027, alertam economistas. O avanço da inadimplência e a recuperação judicial de empresas indicam o impacto dos juros altos, sem que haja um ajuste fiscal que alivie o cenário.
Economistas do mercado financeiro indicam que o ambiente de juros elevados, mantido neste ano e no próximo, aumenta a chance de uma crise de crédito. Adauto Lima, economista da gestora Franklin Templeton, avalia uma probabilidade de 20% de recessão em 2027, apesar de seu cenário base projetar crescimento de 1,5% para o PIB.
O impacto dos juros no crédito foi adiado pela expansão do mercado de capitais, que ofereceu financiamento via cartões, consignados e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Contudo, sinais de retração aparecem na queda da emissão de debêntures, que recuou 28,7% no ano até julho, e em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), com queda de 57,5%.
O Citi, banco americano, declarou em relatório que nem o aumento das transferências sociais nem os programas de ajuda reduziram a inadimplência. Bruno Perri, economista da Forum Investimentos, considera que o país pode entrar em um ambiente recessivo severo, similar ao visto a partir de 2015, se não houver sinalização de ajuste fiscal.
Rodolfo Margato, da XP Investimentos, considera o risco de recessão limitado, prevendo piora na atividade. A XP projeta crescimento de 2% no ano atual, caindo para 1% em 2027, e estima a Selic em 14% ao fim deste ano.

