Um juiz da Força Aérea dos Estados Unidos determinou, nesta quarta-feira (26), que o julgamento de Khalid Sheikh Mohammed e outros três réus, acusados de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001, comece no dia 5 de junho de 2028, na Baía de Guantánamo, em Cuba.
O processo será conduzido por um tribunal militar com um painel de jurados formado exclusivamente por militares. O tenente-coronel Michael Schrama, responsável pelo caso, rejeitou a proposta da acusação para iniciar a sessão em janeiro de 2027. Segundo o magistrado, o prazo anterior seria insuficiente para resolver pendências sobre provas e procedimentos.
Além de Mohammed, também serão julgados Walid Muhammad Salih Mubarak bin ‘Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali. A ordem judicial estabelece que os argumentos iniciais ocorram 30 dias após a formação do painel, seguidos pela apresentação de provas da acusação e pedidos de absolvição dos réus. A defesa terá 60 dias após a fase acusatória para apresentar suas provas.
O caso é marcado por atrasos e disputas jurídicas há mais de 20 anos. No mês passado, um tribunal federal de apelações rejeitou acordos que permitiriam que Mohammed e outros dois réus se declarassem culpados para evitar a pena de morte. Tais acordos haviam sido revogados em agosto pelo então secretário de Defesa, Lloyd Austin, após pressões de parlamentares republicanos.
Os atentados de 2001 envolveram o sequestro de quatro aviões da Al-Qaeda, resultando na morte de quase 3 mil pessoas. Duas aeronaves atingiram o World Trade Center, em Nova York, e uma atingiu o Pentágono, em Washington. O quarto avião caiu na Pensilvânia. Mohammed é apontado como um dos principais responsáveis pelo planejamento da operação.
A prisão da Baía de Guantánamo foi estabelecida em 2002, no governo de George W. Bush, para deter suspeitos estrangeiros. Mohammed é o detento mais conhecido da unidade, onde permanece custodiado enquanto a Justiça Militar define os trâmites finais para o início do processo em 2028.

