A Polícia Federal apurou graves omissões documentais na manutenção da Voepass antes da queda da aeronave em Vinhedo, São Paulo. O laudo pericial expôs o desaparecimento de arquivos de monitoramento contínuo e a remoção de um componente essencial de proteção contra gelo sem registro de reinstalação.
O Instituto Nacional de Criminalística (INC) solicitou à companhia aérea os dados do Programa de Acompanhamento e Análise de Dados de Voo (PAADV/FOQA), que registra o histórico de operação do avião. Contudo, a apuração encontrou uma lacuna, pois a Voepass informou à corporação que “não dispunha” das pastas digitais REC e REP, que continham os parâmetros do turboélice. Essa ausência de material gera um ponto cego sobre as condições de desgaste do avião nos meses anteriores ao acidente.
A investigação também identificou a prática de transferência de componentes sem rastreabilidade. A PF localizou uma ordem de serviço de 10 de julho, um mês antes da queda, que registrava a extração de uma válvula pneumática, usada para alimentar o mecanismo que quebra a crosta de gelo nas asas. O laudo atesta que o equipamento foi retirado “por conveniência da manutenção”.
Para a Polícia Federal, o sumiço dos históricos de voo e a manutenção do avião sem o registro formal de devolução da peça crítica não são apenas erros administrativos. O documento conclui que esses fatores formam a base probatória de um colapso gerencial estruturado, indicando que o colapso aerodinâmico foi o estágio final de irregularidades ocultadas na companhia.


