A escritora e educadora Leodegária de Jesus, nascida em Caldas Novas (GO) em 1889, consolidou-se como uma das primeiras mulheres a publicar poesia em Goiás. Sua trajetória, marcada pelo enfrentamento ao preconceito racial em uma sociedade pós-abolição, resultou na concessão do título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
A primeira obra de Leodegária, intitulada “Coroas de Lírios”, foi impressa em 1906, quando a autora tinha 17 anos. A partir de 1907, integrou o Clube Literário Goiano, onde chegou a comandar sessões. Para contornar as barreiras raciais da época, a escritora publicou diversos textos sob o pseudônimo de Antonieta Vilela.
Além da literatura, Leodegária atuou como empresária e fundou escolas. Ela também criou, ao lado de outras mulheres, o semanário “A Rosa”, veículo voltado ao ativismo feminino na cidade de Vila Boa (GO). Em 1928, publicou a obra “Orchideas”, considerada o ponto de sua maturidade literária.
A Universidade Federal de Goiás (UFG) concedeu à poetisa o título de Doutora Honoris Causa in memoriam no dia 8 de agosto de 2023. A distinção a tornou a primeira mulher negra a receber a honraria na instituição, em um ato de reparação histórica.
Leodegária de Jesus faleceu em 12 de julho de 1978, em Belo Horizonte (MG). Atualmente, ela é a patrona da Cadeira nº 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. Sua imagem, em um retrato a lápis de Amaury Menezes, ilustra a capa do quinto volume da Coleção Goiás + 300, Reflexão e Ressignificação.

