Conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Roberta Luchsinger mostram que Lulinha intermediou uma reunião no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão. A lobista afirmou que o presidente daria continuidade à liberação de uma obra no estado.
A lobista enviou áudio a Lulinha em maio de dois mil e vinte e quatro, informando sobre o encontro agendado com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana. Roberta relatou que o pai de Brandão havia dito que o processo de liberação da obra prosseguiria. A reunião oficial ocorreu por volta das 17h40 naquele dia e foi descrita como uma “Reunião Executiva”.
Um mês depois, em junho de dois mil e vinte e quatro, Lula visitou São Luís e anunciou um pacote de cerca de 60 bilhões de reais em obras para o Maranhão, parte do Novo PAC. O anúncio incluiu renovação da concessão do Porto do Itaqui e implantação de um corredor de transporte na Avenida Litorânea.
A investigação da PF também aponta que Roberta recebeu quase 4,5 milhões de reais da empresa HSLZ Ltda, gestora do Hospital dos Servidores Públicos do Maranhão. O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indica que esses valores vieram de recursos públicos do estado, embora o governo maranhense negue ingerência em empresas privadas.
As conversas revelam contato de Roberta com autoridades estaduais, como o presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária, Gilberto Lins e Neto. Além disso, as apurações indicam proximidade de Roberta e Lulinha com o deputado federal Fabio Macedo e sua esposa, Lorena Macedo, que atuava em representação institucional do estado em Brasília.


