A lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência, recebeu pagamentos superiores a R$ 10 milhões por meio de sua empresa de consultoria. O montante foi mapeado em investigações policiais após a mulher ter alegado, em 2017, não possuir renda própria para quitar dívidas.
Em agosto de 2019, uma oficial de Justiça e policiais militares realizaram a penhora de bens na residência de Luchsinger, em Higienópolis, São Paulo. A medida visava quitar um calote de R$ 35 mil em uma loja de móveis e decoração contraído em 2011. Na ocasião, foram apreendidas 14 gravuras de Candido Portinari, avaliadas em R$ 70 mil.
Em petição protocolada em abril de 2017, a defesa de Luchsinger afirmou que ela não tinha condições de arcar com o valor, pois sua única fonte de renda era o marido, o ex-delegado e ex-deputado Protógenes Queiroz. Queiroz obteve asilo político na Suíça em 2016, alegando perseguição por sua atuação na Operação Satiagraha, e estaria com contas bloqueadas.
A situação financeira tornou-se alvo de questionamentos após Luchsinger declarar à imprensa que doaria R$ 500 mil a Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto este tinha bens bloqueados pela Operação Lava Jato. Os advogados do lojista utilizaram a declaração para argumentar que a requerida possuía recursos para pagar a dívida, vencendo o processo na Justiça.
Luchsinger abriu sua empresa de consultoria em novembro de 2019. Mensagens recuperadas pela PF no celular da lobista mostram que, em 2024, ela escreveu a um empresário: “Eu quero 100 milhões esse ano”.
Atualmente, a mulher é investigada por possível tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A defesa de Roberta Luchsinger informou que se manifesta apenas nos autos dos processos.


