O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (27), que a dívida bruta do governo geral (DBGG) do Brasil é pequena quando comparada a nações como Estados Unidos e Japão. A declaração ocorreu durante sabatina em emissora de televisão, após questionamentos sobre a trajetória das contas públicas.
Dados do Tesouro Nacional, divulgados em julho, apontam que o endividamento atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho. Lula atribuiu a alta da dívida ao baixo crescimento econômico de anos anteriores e afirmou que a economia voltou a crescer acima de 2% após seu retorno à Presidência.
O presidente defendeu seu histórico, declarando ter sido o único entre os países do G20 a registrar superávit primário durante oito anos de governo. Ele afirmou que a dívida pública não o preocupa e citou que o Japão possui um endividamento de cerca de 220% do PIB.
Entretanto, dados do Financial Stability Board (FSB) indicam que o Brasil gastou 8,8% do PIB com juros em 2024, o maior percentual do G20. Pela metodologia do FSB, a dívida bruta brasileira é de 88% do PIB, ocupando a oitava posição no grupo, superando a estimativa do Banco Central.
O economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics, informou que o Brasil possui a pior trajetória de dívida entre as 10 maiores economias emergentes. Segundo Troyjo, o país combina elevado endividamento, alto custo de financiamento e despesa com juros, enquanto nações como Índia e Indonésia apresentam estabilidade ou queda.
Projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI) indicam que a dívida bruta pode atingir 115% do PIB em 2036 caso não ocorram mudanças estruturais. Para estabilizar a relação entre dívida e PIB, a IFI estima a necessidade de um superávit primário de 2,1% do PIB, resultado que, no cenário otimista, ocorreria apenas após 2029.

