O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, arcará com desvios de conduta caso sejam comprovados. O petista repetiu uma estratégia ao tratar de críticas sobre o escândalo no INSS, questionando o filho sobre a relação com uma lobista investigada.
Aliados relataram que Lula questionou Fábio Luís sobre a amizade com a empresária Roberta Luchsinger, que é alvo de investigação. A lobista, herdeira de um banqueiro suíço, teria recebido R$ 249 mil do ex-assessor de Lula, Marco Aurélio Ribeiro Santana. A Polícia Federal aponta Luchsinger como peça central em suposto tráfico de influência no terceiro mandato do governo Lula.
Durante a conversa, Lula considerou a amizade entre Luchsinger e Fábio “estranha”, questionando se a relação seria a mesma sem o vínculo familiar. O primogênito explicou ao pai que sua esposa e Luchsinger “se gostavam como irmãs”.
Na entrevista, Lula declarou que pediu aos advogados de Fábio Luís que não solicitem o fechamento dos processos. Ele disse que quer que as investigações prossigam, assim como ele foi investigado. O advogado de Fábio Luís confirmou que o presidente pediu para afastar qualquer percepção de privilégio.
Há dez dias, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou um terceiro inquérito. Os dois primeiros apuram a ligação do empresário com pessoas que buscavam contratos no Ministério da Saúde e no Dataprev, empresa pública do INSS.


