O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (27), que a responsabilidade fiscal “baliza” sua vida e que não se preocupa com a dívida pública do Brasil. Em entrevista, o presidente defendeu que o crescimento econômico do país será o fator determinante para a redução do endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida bruta brasileira fechou junho em 81,9% do PIB, o maior patamar desde a pandemia de Covid-19. O índice reflete projeções do Tesouro Nacional feitas há dois anos, que previam uma trajetória explosiva de endividamento, mas que foram ignoradas pelo Executivo e Legislativo para a ampliação de gastos em ano eleitoral.
Lula argumentou que o patamar atual não é excessivo quando comparado a países como Estados Unidos, Japão e Itália. O presidente informou que herdou o governo em janeiro de 2023 com déficit fiscal de 2,8% e projeta um superávit primário de 0,1% para o orçamento deste ano. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que o governo anterior teve superávit de 0,6% do PIB em 2022, embora o número envolva manobras como calotes em precatórios.
Na próxima segunda-feira (31), o governo entregará ao Congresso o Orçamento para o primeiro ano da próxima gestão, com meta de superávit de R$ 73,2 bilhões (0,5% do PIB). O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a proposta de 2027 prevê superávit mesmo considerando gastos atualmente excluídos do cálculo da meta.
Sobre a gestão de estatais, o presidente declarou que não considera vender os Correios, mas pretende recuperar a empresa em um eventual quarto mandato. A estatal apresenta crise financeira, com prejuízo de R$ 3,16 bilhões até o primeiro trimestre do ano, e abriu recentemente inscrições para um plano de demissão voluntária devido a uma reestruturação que prevê o fechamento de lojas.
Lula também prometeu zerar a fila de requerimentos do INSS na próxima semana. O estoque de solicitações chegou a 3,1 milhões no início do ano, caindo para 1,28 milhão nesta semana. O tema é ponto central de disputa eleitoral, com propostas do opositor Flávio Bolsonaro para a redução do tempo de espera.

