O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se reúna com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para reduzir a tensão entre a corporação e o magistrado. O encontro, sem data definida nesta quinta-feira (27), será mediado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
A articulação ocorre devido ao desgaste em investigações sensíveis ao governo federal, como os casos do Banco Master, do fundo Dark Horse e apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Mendonça é o relator no STF de inquéritos que concentram forte atenção política, especialmente por envolverem pessoas próximas ao governo durante o período eleitoral.
O clima entre as partes se deteriorou nas últimas semanas. O ministro determinou que Rodrigues fosse afastado da investigação relacionada ao INSS e restringiu seu acesso a informações do inquérito. Mendonça também exigiu que documentos e dados fossem encaminhados ao Supremo após mudanças na equipe responsável pela apuração do caso, alteração que desagradou ao gabinete do magistrado.
A situação provocou manifestações internas de delegados em defesa do diretor-geral da PF. O objetivo do governo agora é criar um canal direto de diálogo para esclarecer divergências e evitar que o conflito institucional aumente. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também poderá participar da conversa.
No caso do INSS, as investigações alcançaram o filho do presidente, que é alvo de três inquéritos no STF por suspeitas de tráfico de influência. A defesa de Fábio Luís nega as acusações e afirma que ele é vítima de perseguição política.
Lula tem declarado publicamente que não interfere nas apurações e que irregularidades devem ser respondidas perante a Justiça. Paralelamente, integrantes da gestão federal trabalham para reduzir o atrito entre a cúpula da PF e o STF.


