O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, se reúna com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A iniciativa visa reduzir a tensão institucional entre o comando da corporação e o integrante da Corte, segundo interlocutores do presidente.
O encontro deve ocorrer nos próximos dias com a mediação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. A relação entre as duas autoridades é marcada por desconfiança mútua: Mendonça suspeita que Rodrigues utiliza a PF para obstruir investigações, enquanto o chefe da corporação acredita que o ministro age politicamente para prejudicar o presidente e favorecer Flávio Bolsonaro.
Mendonça é o relator de dois dos três inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O magistrado também conduz a investigação do caso Dark Horse, que apura repasses de Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro, além do caso Master e do escândalo do INSS. Aliados de Lula consideram que as apurações possuem alto potencial de impacto eleitoral.
O clima piorou recentemente após a divulgação de novas mensagens sobre suposto tráfico de influência de Fábio Luís. Em julho, a PF acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para recorrer de decisões de Mendonça sobre as fraudes no INSS e as investigações envolvendo o filho do presidente.
Em documento enviado ao chefe da AGU, Jorge Messias, a PF listou dez pontos de divergência. Os tópicos incluem a exigência de comunicação prévia sobre mudanças em equipes de investigação e a limitação do acesso judicial ao material produzido. Messias tem evitado questionamentos formais ao ministro, priorizando uma saída política.
No início do mês, o chefe da AGU intermediou uma conversa entre Mendonça e o ministro da Justiça. Na ocasião, Wellington Lima e Silva afirmou ao ministro do STF que a autonomia da PF seria respeitada e que não haveria interferência no trabalho dos investigadores.

