Oitenta e um por cento dos brasileiros afirmam que candidatos em eleições devem acreditar em Deus, revelou levantamento inédito. A percepção é mais forte entre as classes de menor renda, segundo o estudo do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A análise, apresentada na abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostrou que a figura do Deus cristão é valorizada, especialmente entre os estratos mais pobres. Setenta e quatro por cento das pessoas ouvidas concordaram que Deus melhora as pessoas, e o percentual sobe para oitenta e seis por cento entre quem ganha até um salário mínimo.
A socióloga Christina Vital, da UFF, comentou que essa valorização da fé não se traduz em maior confiança nas instituições religiosas. No estudo, cinquenta e seis por cento dos entrevistados confiaram na Igreja Católica, a instituição com maior credibilidade no país. Em contrapartida, cinquenta e um por cento citaram igrejas protestantes.
A pesquisa também indicou que cinquenta e quatro por cento da amostra defendem que o Estado não deve ser laico. Michel Gherman, que lidera o Observatório das Crises das Democracias das Américas (UNLP) da UFRJ, avaliou que as extremas direitas usam as religiões para promover um retorno a um tempo sagrado.
Lucio Rennó, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), observou uma regularidade estatística entre ser evangélico e votar na extrema direita, indicando uma relação de identidade entre eleitores e candidatos.

