A varejista Marabraz solicitou recuperação judicial após perder acesso a linhas de crédito essenciais. Segundo informações da companhia à Justiça, a crise se iniciou devido a conflitos familiares e societários, impactando a liquidez da empresa.
O pedido de recuperação judicial abrange cinco empresas e soma R$ 140,188 milhões em dívidas. A ação tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Por anos, a obtenção de financiamento dependia de imóveis comerciais e centros de distribuição ligados à holding patrimonial da família.
Essa estrutura de garantias mudou após os conflitos. Com a alteração, bancos passaram a revisar a relação com o grupo, exigindo novas garantias, diminuindo limites ou elevando custos operacionais. Na prática, a empresa perdeu a capacidade de transformar patrimônio em crédito, afetando o capital de giro.
O cenário financeiro nacional também dificultou a situação. Com a taxa Selic em 14%, o custo de captação de recursos aumentou. Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, informou que, apesar do segmento da Marabraz ter crescido 7,5% em doze meses, a dificuldade de acesso a recursos tornou-se o obstáculo principal.
As cinco empresas envolvidas no processo são Comercial de Móveis Jordanésia, S.V.C. Jaraguá Comercial, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis e Monta Móveis Prestadora de Serviços. A companhia busca, com a recuperação, a manutenção de serviços operacionais como energia e telefonia, enquanto negocia com credores.

