Cientistas de Munique e Estocolmo testaram um medicamento experimental em camundongos. O composto demonstrou capacidade de impedir que experiências adversas na infância levassem a problemas na hierarquia social do animal.
O estudo, conduzido pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria e pelo Instituto Karolinska, focou em como o estresse inicial afeta o organismo. Os pesquisadores expuseram os animais a condições adversas nos primeiros dias de vida. Embora os filhotes parecessem saudáveis, eles frequentemente ocupavam os níveis mais baixos da hierarquia social ao crescer.
Ao administrar o composto SAFit2, que bloqueia a proteína FKBP51, o padrão social dos camundongos mudou. O desempenho social dos animais tratados ficou idêntico ao dos que não sofreram adversidade. A proteína FKBP51 controla a sensibilidade dos receptores de cortisol, o hormônio do estresse.
A análise cerebral mostrou que o medicamento reverteu alterações em circuitos ligados ao controle emocional. No entanto, os cientistas esclareceram que o efeito é preventivo, pois o composto foi dado durante o período de estresse, e não após ele. A aplicação em humanos ainda não foi comprovada.
Atualmente, tratamentos para transtornos relacionados ao estresse utilizam ISRSs. Mathias Schmidt afirmou que atuar diretamente na origem biológica do problema, como a FKBP51, representaria uma abordagem diferente do tratamento sintomático.


