Médicos concursados da rede municipal de Saúde de Goiânia decidem, em assembleia geral extraordinária nesta segunda-feira (31), a possibilidade de entrar em greve. O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) convocou a categoria para a reunião, marcada para as 20h, após o fracasso nas negociações com a Prefeitura sobre a distribuição da jornada de trabalho.
O conflito central envolve a Portaria nº 550/2026, publicada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que alterou as regras de organização da carga horária dos servidores. Segundo o Simego, a medida dificulta a compatibilização do horário no município com outros vínculos públicos acumuláveis e compromissos profissionais já organizados.
Mais de 100 médicos procuraram o sindicato para relatar dificuldades com a nova regra. A principal divergência é a proibição de cumprir a jornada semanal de 20 horas em quatro períodos de cinco horas, incluindo dois turnos no mesmo dia, modelo que já era praticado por diversos profissionais da rede.
A entidade afirma que não questiona o controle de frequência ou a carga horária total, mas sim a rigidez da distribuição das horas. O Simego argumenta que a imposição desse modelo pode prejudicar a formação de escalas nas unidades e levar médicos a deixarem a rede municipal, afetando a continuidade do atendimento à população.
Representantes da categoria chegaram a se reunir com a SMS para propor alterações na aplicação da portaria, sugerindo a análise individual de cada situação. O sindicato informou que a contraproposta da gestão municipal não atende à demanda dos profissionais, o que levou ao esgotamento das tentativas administrativas de negociação.
A aprovação do indicativo de greve na segunda-feira não significa a interrupção imediata das atividades. Caso a medida seja aceita, a categoria definirá novas etapas de mobilização, respeitando as exigências legais e a manutenção de serviços essenciais.
Em janeiro deste ano, médicos credenciados da rede pública de Goiânia também realizaram uma paralisação. Naquele movimento, as queixas eram relacionadas à segurança, estrutura das unidades e atrasos salariais. A SMS negou a existência de atrasos nos repasses na época e afirmou ter adquirido mais de 200 tipos de insumos para a rede. Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde não respondeu sobre a atual possibilidade de greve.

