Investidores pressionam o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, por um posicionamento firme contra a inflação no discurso desta sexta-feira (28), em Jackson Hole. O mercado busca sinais de determinação para sustentar a ponta longa dos Treasuries, cujos retornos de 30 anos atingiram na semana passada o maior patamar desde 2007.
Um compromisso claro com a estabilidade de preços pode desencadear a compra de títulos americanos de 30 anos. O movimento auxiliaria o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a conter a liquidação desses papéis e a administrar o custo de juros do país. Analistas do JPMorgan Chase, Apollo Global Management e Morgan Stanley afirmam que Warsh tem a chance de convencer o mercado de que o controle inflacionário é sua prioridade.
A inflação nos Estados Unidos permanece acima da meta de 2% do Fed nos últimos cinco anos. Em julho, o índice de gastos com consumo pessoal, medida preferida da instituição, subiu 3,7% na comparação anual. Os retornos dos Treasuries de 30 anos ficaram acima de 5% nos últimos dois meses, chegando a 5,34% na semana passada, antes de recuarem para 5,20% nesta sexta-feira.
O cenário é agravado por divergências internas no banco central. A presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse na quinta-feira (27) que a política atual restringe levemente a economia. Já a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que os formuladores de política devem agir agora, pois os juros não estão desacelerando a economia o suficiente para reduzir as pressões de preços.
O custo de captação elevado tem impactado gestoras de private equity, pequenas empresas e o mercado imobiliário americano. O prêmio de prazo do Fed de Nova York opera em níveis próximos aos de 2014, refletindo a incerteza dos investidores sobre a comunicação de Warsh, classificada como evasiva.
O discurso ocorre antes do relatório de emprego de agosto e de novos dados de inflação, que antecedem a decisão de política monetária do Fed em 16 de setembro. Atualmente, o mercado precifica uma probabilidade de um terço para uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros no próximo mês.


