O Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) estima que o Brasil perdeu quase R$ 500 bilhões em 2025 devido ao mercado ilegal, que abrange produtos piratas e contrabandeados. O montante representa 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB), índice superior à média de 2% registrada em países da América Latina.
Um levantamento com 15 setores da economia calculou perdas de R$ 473,2 bilhões. Desse total, R$ 326,3 bilhões referem-se a prejuízos nas cadeias de produção e R$ 146,9 bilhões correspondem ao impacto da sonegação fiscal nas contas públicas. Os setores de vestuário e bebidas alcoólicas respondem por mais da metade do valor total.
O advogado Edson Vismona, presidente do FNCP e do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), afirmou que o valor real supera os R$ 500 bilhões. Segundo Vismona, a entidade acompanha 50 setores impactados, mas apenas 15 divulgam números. Entre os que não abrem dados estão os de medicamentos, alimentos, ferramentas e peças para automóveis, motos e aviões.
A tendência de alta é constante desde 2014, quando a perda total era de R$ 100 bilhões, sem correção inflacionária. Em 2023, o prejuízo era de R$ 441,3 bilhões, subindo para R$ 468,3 bilhões em 2024.
Paralelamente, a Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice) apurou que 34% dos artigos esportivos consumidos no ano passado eram falsificados. A entidade registrou o movimento de 225 milhões de peças, alta de 30% em relação a 2023. A camisa de times de futebol é o item mais pirateado, representando quase 30% do total da categoria.
O estudo da Ápice estima perdas de R$ 31,8 bilhões no mercado formal de esportes e R$ 7,4 bilhões em impostos. O diretor-executivo da entidade, Renato Jardim, informou que a pirataria reduz investimentos em inovação e prejudica a qualidade dos produtos. Caso os itens fossem legais, o setor poderia ter gerado 60 mil vagas diretas de trabalho formal.
As vendas online de produtos falsificados subiram de 37% em 2023 para 44% em 2025. A Ápice prevê que a internet se torne a principal via de escoamento desses produtos em 2026, impulsionada por marketplaces e redes sociais.


