Com a proximidade das eleições e a possibilidade de continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado financeiro passou a precificar um prêmio eleitoral no real. O movimento se intensificou após o JP Morgan piorar a recomendação para o Brasil e a MSCI excluir os papéis da Stone de sua carteira brasileira.
Relatórios de grandes instituições estrangeiras e nacionais indicam que, embora o mercado inicie a campanha com posições compradas em moeda local, há um desmonte dessas posições. Essa mudança gera pressão sobre a divisa doméstica. As análises apontam que, quanto maior for a vantagem de Lula nas pesquisas, maior será a volatilidade, somada à preocupação com a trajetória fiscal de 2027.
A tendência de desinteresse por ativos brasileiros se reflete na migração de investimentos para títulos indexados à Selic (LFTs). Isso sugere que os investidores apostam na intervenção do Banco Central caso a inflação retorne a ser um problema. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o Tesouro Nacional não enfrenta dificuldades para financiar sua dívida, preparando um colchão de liquidez para o período eleitoral.
A percepção de risco eleitoral tem impactado o câmbio. O dólar superou a média móvel de duzentos dias, atingindo cerca de R$ 5,20, o que acionou ordens automáticas de compra. Investidores sistemáticos e fundos de hedge estão comprando dólar, enquanto a preocupação fiscal permanece como um ponto central para o mercado.

