Um julgamento contra a Meta, iniciado nesta semana nos Estados Unidos, ganhou destaque após o depoimento de Arturo Béjar, ex-engenheiro de segurança da empresa. Ele afirmou que a companhia conhecia problemas enfrentados por crianças e adolescentes no Facebook e no Instagram e levou alertas a executivos, incluindo Mark Zuckerberg.
A ação judicial reúne vinte e nove procuradores-gerais estaduais. Eles acusam a Meta de desenvolver produtos que estimulam o uso excessivo das redes sociais e prejudicam usuários jovens. Béjar disse que comunicava problemas dos produtos aos executivos e conversou com Zuckerberg em pelo menos cem ocasiões. Em dois mil e vinte e um, o ex-funcionário enviou um e-mail ao CEO após Zuckerberg declarar que a empresa não colocava o lucro acima da segurança dos jovens.
O depoimento incluiu dados sobre experiências de adolescentes no Instagram. Segundo a pesquisa apresentada, cinquenta e um por cento dos entrevistados relataram ter tido alguma experiência ruim ou prejudicial na semana anterior, enquanto apenas zero vírgula zero dois por cento desse conteúdo foi removido. Béjar relatou também que sua filha adolescente sofreu abordagens sexuais e encontrou dificuldades para denunciar abusos na plataforma.
Os procuradores estaduais estimaram inicialmente as reivindicações em aproximadamente cento e noventa e três bilhões de dólares. A Meta, por sua vez, calculou uma exposição potencial de até um trilhão e quatrocentos bilhões de dólares. A defesa da empresa sustenta que desenvolveu ferramentas para lidar com os problemas e que desativou mais de um milhão de contas de usuários menores de treze anos.


