O governo de Javier Milei anunciou nesta segunda-feira (31) o investimento de US$ 33 milhões para aumentar os salários das Forças Armadas e de Segurança. A decisão ocorre enquanto dados de consultorias e câmaras de comércio indicam a expansão do contrabando de produtos importados na Argentina.
Militares da ativa e aposentados terão um reajuste de 12,22% nos vencimentos entre setembro e dezembro de 2026. Agentes da Gendarmaria Nacional, Prefectura Naval, Polícia Federal, Serviço Penitenciário Federal e Polícia de Segurança Aeroportuária receberão melhorias no salário básico que variam entre 10% e 30%.
O gabinete de imprensa da presidência informou, em comunicado, que as medidas buscam fortalecer e recuperar as Forças Federais de Segurança e as Forças Armadas. O presidente havia prometido, ao assumir em 2023, reestruturar as corporações após o que chamou de política de desfinanciamento de governos anteriores.
Entre o fim de 2023 e o início deste ano, os salários militares registraram perda média de 28% frente à inflação. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), um cabo do Exército recebia US$ 566, valor inferior à renda necessária para que uma família não caísse na pobreza. Em junho, o Ministério da Defesa permitiu que militares e agentes federais trabalhassem no setor privado para compensar o custo de vida.
Dados de consultorias privadas que analisam o Banco Central indicam que 25% desses profissionais não conseguem quitar dívidas com bancos e carteiras virtuais. A inflação acumulada no ano chegou a 19,3% até julho.
Simultaneamente, a apuração da imprensa internacional aponta crescimento no contrabando de bebidas, cigarros, roupas e celulares. Câmaras de comércio estimam que até 40% das cervejas e 30% dos pneus vendidos no país são ilegais. Analistas atribuem o fluxo à redução da burocracia na entrada de mercadorias e à equiparação do câmbio oficial com o mercado paralelo.
Um diretor de importadora de calçados, que pediu anonimato, afirmou que empresas que pagam impostos estão sendo prejudicadas por não conseguirem competir com o volume de material contrabandeado.

