O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o governo zerou o déficit da União, estabilizando as contas públicas em 2024 e 2025. Contudo, dados do Tesouro Nacional mostram que o governo federal registrou déficit primário de R$ 43 bilhões em 2024 e R$ 61 bilhões em 2025, com projeção negativa de R$ 52 bilhões para 2026.
Durigan afirmou que a estabilização ocorreu a partir de 2024, dizendo que “Hoje nós não temos déficit primário no país”. O Ministério da Fazenda explicou que o cumprimento da meta de déficit zero dependeu da exclusão de gastos do arcabouço fiscal. Em 2024, por exemplo, R$ 29 bilhões destinados ao auxílio aos atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul foram retirados do cálculo oficial.
Em 2025, a exclusão incluiu R$ 41 bilhões em pagamentos de precatórios e R$ 2,8 bilhões ressarcidos a aposentados e pensionistas. O déficit primário caiu de 2,1% do PIB em 2023 para 0,39% do PIB em 2024, conforme dados do Tesouro Nacional.
Economistas apontam divergências na gestão fiscal. O professor Marcos Mendes, do Insper, comentou que o governo aumentou despesas por fora do orçamento, utilizando operações financeiras com crédito subsidiado. Ele disse que o governo “converteu um superávit primário em déficit”.

